A inteligência artificial esteve envolvida em quase 40% de toda a música lançada no mundo durante o mês de julho, de acordo com um novo estudo.
2º a Mixmag, os dados foram divulgados pela plataforma de promoção musical SubmitHub. Através da sua ferramenta de deteção de IA, foram analisados mais de um milhão de lançamentos publicados em julho, concluindo-se que 23,2% das faixas foram totalmente geradas por inteligência artificial.
O estudo identificou ainda que 15,3% dos lançamentos continham sinais de áudio criado por IA que terá sido posteriormente editado ou processado por humanos. No total, cerca de 38,5% da música lançada durante o mês analisado envolveu, de alguma forma, a utilização de inteligência artificial.
A SubmitHub, plataforma que permite aos artistas submeter músicas para playlists, blogues e curadores digitais, lançou a ferramenta de deteção SH Labs no início deste verão. Segundo a empresa, o objetivo passa por responder ao crescente problema da falta de transparência em torno da utilização de inteligência artificial na indústria musical.
Jason Grishkoff, fundador da SubmitHub, defendeu que a transparência será fundamental para o futuro da música criada com recurso à inteligência artificial.
"Acredito que o caminho a seguir para a música gerada por IA passa pela divulgação clara da sua utilização. As pessoas devem poder decidir por si próprias se querem ou não consumir música criada desta forma", afirmou. "O nosso trabalho é fornecer informação suficiente para que possam fazer essa escolha."
A Bandcamp proibiu a distribuição de música criada exclusivamente por inteligência artificial no início deste ano, reservando-se ainda o direito de remover conteúdos sempre que existam suspeitas de utilização desta tecnologia. A Beatport seguiu o mesmo caminho na semana passada, anunciando medidas destinadas a aumentar a transparência para os ouvintes e a proteger a criatividade humana.
Já durante o verão, a TIDAL revelou uma nova política para travar a proliferação de música gerada por inteligência artificial na plataforma. Entre as medidas anunciadas, destaca-se a decisão de não pagar direitos de autor nem royalties a conteúdos produzidos integralmente por IA.
O Spotify está também a implementar um novo sistema de identificação que permitirá aos utilizadores reconhecer rapidamente artistas e conteúdos criados com recurso à inteligência artificial.
Entretanto, a Deezer revelou que a música gerada por IA já representa mais de 50% dos conteúdos carregados diariamente na plataforma, evidenciando o crescimento acelerado desta tecnologia na indústria musical.
A Apple Music já tinha anunciado planos para informar os utilizadores sempre que estivessem a ouvir música criada com recurso à inteligência artificial.
Em março, várias figuras da indústria musical britânica reagiram às novas medidas do Governo do Reino Unido em matéria de direitos de autor, que impedem as empresas de IA de utilizarem obras existentes sem autorização. Apesar de terem saudado a iniciativa, os representantes do setor defenderam que é necessário fazer muito mais para garantir uma proteção eficaz dos criadores.
Entre as vozes mais ativas nesta campanha estiveram artistas como Paul McCartney, Kate Bush, Dua Lipa e Elton John, que apelaram ao Governo para reforçar a defesa dos direitos dos autores. A mobilização surgiu em resposta a propostas controversas que poderiam permitir às empresas de inteligência artificial utilizar obras protegidas por direitos de autor sem compensação ou consentimento dos seus criadores.
Um estudo publicado em 2025 concluiu que 97% das pessoas não conseguem distinguir música criada por humanos de música gerada por IA. No ano anterior, outra investigação alertou para a possibilidade de os profissionais da indústria musical perderem, em média, um quarto dos seus rendimentos nos quatro anos seguintes devido ao impacto desta tecnologia.
